Neste trabalho utilizamos as ideias das
autoras Carla Marques Alvarenga de Oliveira, Anna Maria Pessoa de Carvalho e
Lúcia Helena Sasseron para tratar sobre o tema “Escrita e desenho nas aulas de
Ciências do Ensino Fundamental”, indicando a Alfabetização Científica como
elemento norteador na elaboração dos currículos para dar conta de promover um
ensino capaz de levar os alunos a
investigarem temas das ciências e a discutirem suas inter-relações com a
sociedade e o ambiente.
O artigo “Escrevendo em aulas de
ciências” de Oliveira e Carvalho (2005) procura mostrar um panorama de como
aparecem os registros realizados pelos
alunos do 3º ano do Ensino Fundamental, em que a professora utilizou as
atividades de conhecimento físico, criadas pelo Laboratório de Pesquisa de
Ensino de Física da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo. Os
alunos foram levados a resolver situações problemáticas por meio da
experimentação, argumentar e escrever sobre os fenômenos físicos. Partindo de
uma reflexão da prática escolar, surgiu a necessidade de relacionar os estudos
de Ciências realizados com os estudos de linguagem, já que na sala de aula os
conhecimentos não aparecem estanques e isolados.
O segundo artigo analisado “Escrita e Desenho: Análise de registros elaborados por alunos do Ensino
Fundamental em aulas de Ciências” (2010),
tem como objetivo perceber a
construção do conhecimento sobre temas das ciências e as relações dos mesmos com situações de
nosso dia-a-dia por meio das tecnologias produzias e dos impactos que podem ser
causados ao meio ambiente. Não é a preocupação central deste trabalho tratar
com profundidade a Alfabetização Cientifica e sim discutir suas bases e aqueles
que podem ser vistos como os eixos estruturantes a serem considerados no
planejamento de propostas que objetivem a Alfabetização Cientifica.
Com base nas autoras
Oliveira e Carvalho (2005), ao discutir ideias e desenvolver a escrita de
textos consolidam um importante mecanismo para a criação de um sistema
conceitual coerente nas aulas de ciências. Sendo assim, falar, ouvir e procurar
uma explicação a respeito do que está estudando, escrever e desenhar, configura
uma expressão em diversas linguagens que
ajuda a solidificar e sistematizar o que já foi aprendido.
O aluno ao argumentar
fazendo referencia aos conceitos aprendidos está processando cognitivamente o
que compreendeu na determinada abordagem de conhecimentos científicos. Segundo
Oliveira e Carvalho (2005) a verbalização ajuda no desenvolvimento e
compreensão dos conceitos. Entretanto, a
discussão de ideias e a escrita nas aulas de ciências não são atividades
fundamentais, mas complementares. Sasseron e Carvalho também afirmam que:
Fala e escrita são modalidades complementares.
O uso da escrita como um instrumento para a aprendizagem realça a construção
pessoal do conhecimento, enquanto que o uso da fala para a aprendizagem é
consistente com o pensamento sócio construtivista [...] (SASSERON e CARVALHO,
p. 6, 2010).
No entanto, o emprego dessas duas atividades de linguagem
contribui para a construção do
conhecimento científico. Sendo que, a fala possibilita “gerar, clarificar,
compartilhar e distribuir ideias entre o grupo” e a escrita realça a construção
pessoal do conhecimento, pois refina e consolida ideias novas com conhecimentos
anteriores (OLIVEIRA e CARVALHO, 2005). É importante salientar que além da fala
e escrita o desenho contribui para uma melhor compreensão do texto escrito,
pois a imagem pode ilustrar ou especializar uma informação, ou seja, na
ilustração a imagem apresenta significado já obtido na linguagem escrita, enquanto
a especialização por meio da imagem traz novas informações complementando a
escrita.
Todavia, faz-se
necessário levar os alunos na sala de aula a resolverem problemas por meio da
experimentação, de forma a hipotetizar e argumentar sobre os conceitos
científicos. Os conhecimentos e aptidões dos alunos só serão adquiridos e
desenvolvidos a partir de oportunidades
que os mesmos tenham de refletir, relatar, discutir e explicar suas ações. Cabe
ao professor criar oportunidades de incentivar os alunos a exercerem seus conhecimentos e
aptidões na busca de soluções de
problemas e na aquisição de novos conhecimentos científicos fazendo uso
de variáveis e Eixos Estruturantes que possibilite aos discentes serem alfabetizados cientificamente.
Para Carvalho (2005), as crenças
que o professor possui influenciam suas práticas pedagógicas, isso é verificado
quando o professor desenvolve uma atividade em que os alunos possuem liberdade
para expressarem diferentes hipóteses. Se o docente não compreende que este é um
processo natural do pensamento científico, e que a própria Ciência se
desenvolve desta forma, acabará por interpretar tal atividade como bagunça ou
indisciplina, ao invés de produtiva para a aprendizagem científica dos alunos.
Referencias:
CARVALHO,
L.H. e OLIVEIRA, Carla Marques Alvarenga de. Escrevendo em aulas de Ciências. Ciência & Educação (Bauru),
vol.11, núm.3, 2005, p. 347-366.
SASSERON,
L.H. e CARVALHO, A.M.P. Escrita e
Desenho: Análise de registros elaborados por alunos do Ensino Fundamental em
aulas de Ciências. Revista Brasileira de Pesquisa em Educação em Ciências.
Vol. 10 Nº2, 2010
Pergunta
De que forma a
Leitura, a Escrita e o Desenho podem favorecer a Alfabetização Científica dos
alunos nos Anos Iniciais?
Vídeo utilizado na apresentação:
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