sexta-feira, 11 de abril de 2014

Alfabetização científica na escola: como ele pode acontecer?

Alfabetização científica na escola: como ele pode acontecer?

A pergunta parece ser bem simples de ser respondida. Todos nós podemos apresentar uma concepção do que seja Alfabetização Científica (daqui em diante AC) e baseada nesta concepção, sugerir como ela pode acontecer em um ambiente formal escolar ou não. Desta forma precisamos sistematizar elementos que estejam associados a este processo. Em outras palavras, para podermos explicar como pode acontecer a AC em função da nossa concepção sobre o assunto, é preciso identificar características ou ações particulares a este processo. Seria ingênuo considerar que são poucos os conceitos formados sobre AC.
Buscando bases científicas sobre o que seja AC, Lúcia Helena Sasseron faz um levantamento das diversas concepções científicas sobro o assunto. Sua busca compreende a literatura estrangeira e nacional e em ambos os casos ocorrem concepções distintas sobre a AC. No caso da literatura nacional sobre Ensino de Ciências, devido a pluralidade semântica, encontra-se termos como “Letramento Científico”, “Enculturação Científica” ou ainda “Alfabetização Científica” mas que, no geral, apresentam a mesma preocupação com o ensino de ciências. (Sasseron, 2008, p.10, 11)
Ao se pensar como pode ocorrer a alfabetização científica na escola, podemos utilizar das nossas concepções sobre o assunto. Podemos entender que a AC acontece quando o professor de Ciências (Física, Química ou Biologia) está “passando” conteúdos em suas respectivas salas de aula através das práticas comuns como as aulas expositivas, resolução de problemas, leituras dinâmicas, ou através de atividades práticas. Ou ainda, sob o ponto de vista de uma visão rebuscada e crítica sobre o assunto, em considerar que a AC deve ser consolidada através de práticas que proporcionem a formação do indivíduo capaz de organizar seu pensamento de maneira lógica e posicionar-se criticamente em relação ao mundo que o cerca, a formar um indivíduo autônomo sobre o processo da construção do seu conhecimento.
Desta forma, para posicionar-se criticamente sobre como a AC pode acontecer na sala de aula precisamos, primeiramente, considerar os referenciais sobre o que seja Alfabetização Científica. Por exemplo, ao se considerar como referencial as concepções Freireanas em educação, a AC vislumbra a formação do indivíduo que possa organizar seu pensamento de maneira lógica e crítica sobre o mundo que o cerca. Não podemos esquecer também da função do professor por apresenta-se como elemento mediador para que isto aconteça. Paulo Freire salienta que
receber “o educador problematizador re-faz, constantemente, seu ato cognoscente, na cognoscitividade dos educandos. Estes, em lugar de serem recipientes dóceis de depósitos, são agora investigadores críticos, em diálogo com o educador, investigador crítico, também.”(Freire, 2002, p. 69)
Assim, levando em consideração as bases construídas por Paulo Freire, devemos compreender que a AC acontece quando o professor, ao apresentar-se como mediador, proporciona “um espaço” de interação, de diálogo, da busca e construção do conhecimento.
Desta forma, tendo como base os trabalhos de Sasseron e Carvalho, bem como uma sequência didática muito bem estruturada, pode-se evidenciar os blocos que abrangem as habilidades pertinentes a alfabetização científica, estes blocos são denominados por estes autores como eixos estruturadores da Alfabetização Cientifica (Sasseron,2008 e Sasseron & Carvalho, 2008): compreensão básica de termos; conhecimentos e conceitos científicos fundamentais; compreensão da natureza da ciência e dos fatores éticos e políticos que circundam sua prática; e o entendimento das relações existentes entre ciência, tecnologia, sociedade e meio-ambiente.
Para revelar indícios de determinadas habilidades que estão sendo trabalhadas pelos alunos durante o desenvolvimento da sequência a investigação do problema e a discussão dos temas científicos, Sasseron e Carvalho (2008) estabelecem a existência de indicadores deste processo os quais denominam Indicadores da Alfabetização Científica.
Concebemos, pois, a alfabetização científica como um estado em constantes modificações e construções, dado que, todas as vezes que nossos conhecimentos são estabelecidos, novas relações precisam surgir, tornando-se cada vez mais complexa e coesa. Apesar disso, é possível almejá-la e buscar desenvolver habilidades entre os alunos. Os indicadores de alfabetização científica têm a função de nos mostrar algumas destrezas que acreditamos necessárias para vislumbrar se a AC está em processo de desenvolvimento entre os alunos. (Sasseron, 2010, p. 19).

Dessa maneira, consideramos que as bases teóricas, anteriormente citadas, constituem como estruturas imprescindíveis para o desenvolvimento deste trabalho de forma a proporcionar resultados consistentes no que se diz respeito à utilização das “novas tecnologias” visando uma melhoria para o processo de ensino-aprendizagem de Física em referência à Alfabetização Científica.

Saladgima, 2014.

Referências

FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. 32ed. São Paulo: Paz e Terra, 2002. 184p.
SASSERON, L. H.; CARVALHO, A. M. P. Almejando a alfabetização científica no Ensino Fundamental: a proposição e a procura de indicadores do processo. Investigações em Ensino de Ciências, Porto alegre, v. 13, n. 3, p. 333-352, 2008.

SASSERON, Lucia Helena. Alfabetização científica e documentos oficiais brasileiros: um diálogo na estruturação do ensino da Física. In: CARVALHO, Anna Maria Pessoa de. Et al. Ensino de Física. São Paulo: Cegange Leardning, 2010. 158 p.

Um comentário:

  1. Não compreendi direito o parágrafo que você fala sobre "passar" o conhecimento, ele está de acordo com os outros?
    O professor de Ciências não pode ser só de Ciências (Ensino Fundamental?)

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