Alfabetização
científica na escola: como ele pode acontecer?
A
pergunta parece ser bem simples de ser respondida. Todos nós podemos apresentar
uma concepção do que seja Alfabetização Científica (daqui em diante AC) e
baseada nesta concepção, sugerir como ela pode acontecer em um ambiente formal
escolar ou não. Desta forma precisamos sistematizar elementos que estejam
associados a este processo. Em outras palavras, para podermos explicar como pode
acontecer a AC em função da nossa concepção sobre o assunto, é preciso identificar
características ou ações particulares a este processo. Seria ingênuo considerar
que são poucos os conceitos formados sobre AC.
Buscando
bases científicas sobre o que seja AC, Lúcia Helena Sasseron faz um
levantamento das diversas concepções científicas sobro o assunto. Sua busca compreende
a literatura estrangeira e nacional e em ambos os casos ocorrem concepções
distintas sobre a AC. No caso da literatura nacional sobre Ensino de Ciências,
devido a pluralidade semântica, encontra-se termos como “Letramento Científico”,
“Enculturação Científica” ou ainda “Alfabetização Científica” mas que, no
geral, apresentam a mesma preocupação com o ensino de ciências. (Sasseron,
2008, p.10, 11)
Ao
se pensar como pode ocorrer a alfabetização científica na escola, podemos
utilizar das nossas concepções sobre o assunto. Podemos entender que a AC acontece
quando o professor de Ciências (Física, Química ou Biologia) está “passando”
conteúdos em suas respectivas salas de aula através das práticas comuns como as
aulas expositivas, resolução de problemas, leituras dinâmicas, ou através de atividades
práticas. Ou ainda, sob o ponto de vista de uma visão rebuscada e crítica sobre
o assunto, em considerar que a AC deve ser consolidada através de práticas que
proporcionem a formação do indivíduo capaz de organizar seu pensamento de
maneira lógica e posicionar-se criticamente em relação ao mundo que o cerca, a
formar um indivíduo autônomo sobre o processo da construção do seu
conhecimento.
Desta
forma, para posicionar-se criticamente sobre como a AC pode acontecer na sala
de aula precisamos, primeiramente, considerar os referenciais sobre o que seja
Alfabetização Científica. Por exemplo, ao se considerar como referencial as
concepções Freireanas em educação, a AC vislumbra a formação do indivíduo que
possa organizar seu pensamento de maneira lógica e crítica sobre o mundo que o
cerca. Não podemos esquecer também da função do professor por apresenta-se como
elemento mediador para que isto aconteça. Paulo Freire salienta que
receber
“o educador problematizador re-faz, constantemente, seu ato cognoscente, na
cognoscitividade dos educandos. Estes, em lugar de serem recipientes dóceis de
depósitos, são agora investigadores críticos, em diálogo com o educador,
investigador crítico, também.”(Freire, 2002, p. 69)
Assim,
levando em consideração as bases construídas por Paulo Freire, devemos
compreender que a AC acontece quando o professor, ao apresentar-se como
mediador, proporciona “um espaço” de interação, de diálogo, da busca e construção
do conhecimento.
Desta
forma, tendo como base os trabalhos de Sasseron e Carvalho, bem como uma sequência
didática muito bem estruturada, pode-se evidenciar os blocos que abrangem as
habilidades pertinentes a alfabetização científica, estes blocos são
denominados por estes autores como eixos estruturadores da Alfabetização
Cientifica (Sasseron,2008 e Sasseron & Carvalho, 2008): compreensão básica de termos; conhecimentos
e conceitos científicos fundamentais; compreensão da natureza da ciência e dos
fatores éticos e políticos que circundam sua prática; e o entendimento das
relações existentes entre ciência, tecnologia, sociedade e meio-ambiente.
Para
revelar indícios de determinadas habilidades que estão sendo trabalhadas pelos
alunos durante o desenvolvimento da sequência a investigação do problema e a
discussão dos temas científicos, Sasseron e Carvalho (2008) estabelecem a
existência de indicadores deste processo os quais denominam Indicadores da Alfabetização
Científica.
Concebemos,
pois, a alfabetização científica como um estado em constantes modificações e
construções, dado que, todas as vezes que nossos conhecimentos são
estabelecidos, novas relações precisam surgir, tornando-se cada vez mais
complexa e coesa. Apesar disso, é possível almejá-la e buscar desenvolver
habilidades entre os alunos. Os indicadores
de alfabetização científica têm a função de nos mostrar algumas destrezas
que acreditamos necessárias para vislumbrar se a AC está em processo de
desenvolvimento entre os alunos. (Sasseron, 2010, p. 19).
Dessa
maneira, consideramos que as bases teóricas, anteriormente citadas, constituem
como estruturas imprescindíveis para o desenvolvimento deste trabalho de forma
a proporcionar resultados consistentes no que se diz respeito à utilização das
“novas tecnologias” visando uma melhoria para o processo de ensino-aprendizagem
de Física em referência à Alfabetização Científica.
Saladgima, 2014.
Referências
FREIRE,
Paulo. Pedagogia do Oprimido. 32ed. São Paulo: Paz e Terra, 2002.
184p.
SASSERON, L. H.; CARVALHO, A. M. P. Almejando a alfabetização científica no
Ensino Fundamental: a proposição e a procura de indicadores do processo.
Investigações em Ensino de Ciências, Porto alegre, v. 13, n. 3, p. 333-352,
2008.
SASSERON, Lucia Helena. Alfabetização
científica e documentos oficiais brasileiros: um diálogo na estruturação do
ensino da Física. In: CARVALHO, Anna Maria Pessoa de. Et al. Ensino de Física. São Paulo: Cegange
Leardning, 2010. 158 p.
Não compreendi direito o parágrafo que você fala sobre "passar" o conhecimento, ele está de acordo com os outros?
ResponderExcluirO professor de Ciências não pode ser só de Ciências (Ensino Fundamental?)