Basta o ozônio
Hoje uma estudante comentou em sala que em um observatório,
o condutor das atividades mencionou que em dada lua de Júpiter existe uma
atmosfera “parecida com a da Terra. Tem até ozônio!”. Completou a colocação
dizendo que numa possível migração em massa da humanidade, esse seria um lugar
habitável. Aproveitei para questioná-los e desafiá-los a apresentar argumentos
que mostrem que uma “atmosfera parecida” com a da Terra não é condição única
para a manutenção da vida. Agora, reflito no papel das diversas fontes de
informação que cercam nossos estudantes despejando acriticamente informações
sobre ciência. E por conseqüência, o papel da escola nisso tudo. As mesmas
autoras do texto sugerido, em outro trabalho, apontam os chamados eixos
estruturantes para o processo de AC: conhecimento dos termos e conceitos
científicos, compreensão da natureza das ciências e dos fatores éticos e políticos
que influenciam e são influenciadas, e o entendimento das relações CTS (SASSERON,
CARVALHO, 2011). Alicerçar-se nesses eixos é o caminho que talvez descreva o
papel da escola no processo. Mas como fazê-lo? O texto sugerido como referência
principal descreve alguns indicadores a serem buscados durante o processo (SASSERON,
CARVALHO, 2008). A proposta didática do trabalho parece se basear na problematização
de fenômenos, obtenção de dados relacionados, discussão dos dados, e argumentação.
É válido ressaltar que esses pontos não são necessariamente etapas cronológicas
a serem seguidas, como um método pré estabelecido, mas de cada um deles emergem
características específicas que sugerem os citados indicadores. Gil Perez et al. (2001) já haviam descrito esses pontos como sendo relevantes para serem
incluídos no currículo de ciências. Almejar a AC nas escolas, independente dos
níveis de ensino, perpassa por um processo de diálogo entre as disciplinas – a fim
de, por exemplo, explorar as relações CTS –, além de resultar de um esforço
metodológico das práticas de ensino. Estas devem ser fundamentadas na
investigação de fenômenos, buscando a argumentação e interpretação destes.
Uma reflexão sobre o assunto remete aos momentos da vida
escolar em que se objetiva alguns dos aspectos apontados nos eixos
estruturantes. Lemke (2006, apud SASSERON, CARVALHO, 2011) justifica que
aspectos diferentes devem ser desenvolvidos em etapas diferentes da formação. Seria
incoerente, por exemplo, nos anos iniciais explorar com ênfase conceitos
científicos ou os fatores éticos e políticos que circundam a ciência, mas, como
no exemplo visto na referência principal da aula, é possível (e até desejável) desenvolver
nos pequenos estudantes habilidades relacionadas ao pensar cientificamente, por
meio da investigação. Então, o fazer AC na escola é também um processo contínuo
ao longo dos anos escolares no qual aos poucos vão sendo buscados fatores
relacionados aos eixos estruturantes do processo.
Referências
Sasseron,
L; Carvalho, A. M. P.; Alfabetização
Científica: uma revisão bibliográfica. Rev. Investigação no Ensino de
Ciências. v. 16, n.1, p. 59-77, 2011.
Sasseron,
L; Carvalho, A. M. P.; Almejando a Alfabetização
Científica no Ensino Fundamental: A proposição e a procura por indicadores
do processo. Rev. Investigação no Ensino de Ciências, v. 13, n. 3, p. 333-345,
2008.
Gil
Perez, D.; Montoro, I. F.; Alís, J. C.; Cachapuz, A.; Praia, J.; Para uma imagem não deformada do trabalho
científico. Rev. Ciência e Educação, v. 7, n. 2, p. 125-153, 2011.
Lamke,
J. L. Investigar para el futuro de la
educación científica: nuevas formas de aprender, nuvas formas de vivir.
Rev. Ensenanza de las ciencias. v.24, n.1, 5-12.
Dr.
Manhattan

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