sexta-feira, 11 de abril de 2014

Atividade 4: Basta o Ozônio

Basta o ozônio

Hoje uma estudante comentou em sala que em um observatório, o condutor das atividades mencionou que em dada lua de Júpiter existe uma atmosfera “parecida com a da Terra. Tem até ozônio!”. Completou a colocação dizendo que numa possível migração em massa da humanidade, esse seria um lugar habitável. Aproveitei para questioná-los e desafiá-los a apresentar argumentos que mostrem que uma “atmosfera parecida” com a da Terra não é condição única para a manutenção da vida. Agora, reflito no papel das diversas fontes de informação que cercam nossos estudantes despejando acriticamente informações sobre ciência. E por conseqüência, o papel da escola nisso tudo. As mesmas autoras do texto sugerido, em outro trabalho, apontam os chamados eixos estruturantes para o processo de AC: conhecimento dos termos e conceitos científicos, compreensão da natureza das ciências e dos fatores éticos e políticos que influenciam e são influenciadas, e o entendimento das relações CTS (SASSERON, CARVALHO, 2011). Alicerçar-se nesses eixos é o caminho que talvez descreva o papel da escola no processo. Mas como fazê-lo? O texto sugerido como referência principal descreve alguns indicadores a serem buscados durante o processo (SASSERON, CARVALHO, 2008). A proposta didática do trabalho parece se basear na problematização de fenômenos, obtenção de dados relacionados, discussão dos dados, e argumentação. É válido ressaltar que esses pontos não são necessariamente etapas cronológicas a serem seguidas, como um método pré estabelecido, mas de cada um deles emergem características específicas que sugerem os citados indicadores. Gil Perez et al. (2001) já haviam descrito esses pontos como sendo relevantes para serem incluídos no currículo de ciências. Almejar a AC nas escolas, independente dos níveis de ensino, perpassa por um processo de diálogo entre as disciplinas – a fim de, por exemplo, explorar as relações CTS –, além de resultar de um esforço metodológico das práticas de ensino. Estas devem ser fundamentadas na investigação de fenômenos, buscando a argumentação e interpretação destes.    
Uma reflexão sobre o assunto remete aos momentos da vida escolar em que se objetiva alguns dos aspectos apontados nos eixos estruturantes. Lemke (2006, apud SASSERON, CARVALHO, 2011) justifica que aspectos diferentes devem ser desenvolvidos em etapas diferentes da formação. Seria incoerente, por exemplo, nos anos iniciais explorar com ênfase conceitos científicos ou os fatores éticos e políticos que circundam a ciência, mas, como no exemplo visto na referência principal da aula, é possível (e até desejável) desenvolver nos pequenos estudantes habilidades relacionadas ao pensar cientificamente, por meio da investigação. Então, o fazer AC na escola é também um processo contínuo ao longo dos anos escolares no qual aos poucos vão sendo buscados fatores relacionados aos eixos estruturantes do processo.        
Referências
Sasseron, L; Carvalho, A. M. P.; Alfabetização Científica: uma revisão bibliográfica. Rev. Investigação no Ensino de Ciências. v. 16, n.1, p. 59-77, 2011.
Sasseron, L; Carvalho, A. M. P.; Almejando a Alfabetização Científica no Ensino Fundamental: A proposição e a procura por indicadores do processo. Rev. Investigação no Ensino de Ciências, v. 13, n. 3, p. 333-345, 2008.
Gil Perez, D.; Montoro, I. F.; Alís, J. C.; Cachapuz, A.; Praia, J.; Para uma imagem não deformada do trabalho científico. Rev. Ciência e Educação, v. 7, n. 2, p. 125-153, 2011.
Lamke, J. L. Investigar para el futuro de la educación científica: nuevas formas de aprender, nuvas formas de vivir. Rev. Ensenanza de las ciencias. v.24, n.1, 5-12. 
               Dr. Manhattan           

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