quinta-feira, 3 de abril de 2014

Sessão responda-me se for capaz 3
Como o ensino de Ciências pode contribuir para a construção de uma imagem não deformada das ciências?


O processo de ensino pode tornar-se algo cíclico e meramente repetitivo quando este não assume a reflexão como viés de construção. E observando a pergunta acima o ensino de Ciências, especificamente citado, poderá contribuir para uma construção não deformada das ciências se este possuir um processo reflexivo. Caso contrário, os atores desse processo (docentes e discentes) continuarão perpetuando uma visão de senso comum das ciências que vinculam em filmes, revistas, imagens e em conversas cotidianas.

A percepção do senso comum de ciências é como algo neutro e extremamente prático, regido por deduções sem uma base teórica, mas orquestrada pela rigidez metodologia. E os conhecimentos/conceitos? Brotam dos cérebros geniais dos cientistas que por sua vez são seres enclausurados em laboratórios sem nenhum convívio social. Mas como algo que está tão impregnado no imaginário pode ser ‘desconstruído’? 

O ensino de Ciências pode contribuir, porém é necessário que haja uma ruptura na própria visão dos indivíduos que estão ativamente ligados ao ensino, a partir do debate constante com seus pares e o encontro com leituras que fomentem novas visões. Desta forma, entender que ciência não é realizada pela mera repetição rígidas de métodos sem que estes se liguem ao processo investigativo, onde surgirão dados que necessitam de uma análise teórica para entendê-los. Perceber a ciência como uma construção social e por isso não neutra, pois esta tenta esclarecer/entender processos e fenômenos que são os objetos de estudos, a partir de um interesse da instituição financiadora ou das linhas de pesquisa dos cientistas. E que estes, os cientistas, são seres humanos normais que optaram por uma profissão que os exigirá dedicação assim como as outras.

Logo, o ensino de Ciências pode contribuir para a mudança da imagem deformada das ciências desde que este seja edificado a partir da reflexão sobre como essa ciência é construída, e não meramente repetir as ideias cotidianas sobre a mesma, e assim gradativamente ir rompendo com a visão de ciências do senso comum.

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