Vivemos em uma
sociedade que depende da Ciência e da Tecnologia. O desenvolvimento de um ensino de ciência
eficaz e de qualidade envolve desde
aspectos como compreender os fenômenos científicos existentes em nosso cotidiano, até como aplicar os conhecimentos e competências cientificas para poder
resolver ou opinar sobre os
problemas sociais e culturais
presentes na natureza. Em relação a como as
discussões sobre natureza da ciência podem se relacionar ao ensino entende-se
que é necessário, mais do que compreender o produto da ciência, compreender o
processo pelo qual a ciência é construída, evidenciando a ciência como processo histórico, social e cultural. Sabe-se que a aprendizagem é um
processo interno que ocorre como resultado da ação do sujeito, desse modo, o
ensino de ciências voltado e trabalhado para uma imagem não deformada das ciências
precisa ser construída
em uma interação entre o sujeito e o meio circundante, fazendo com
que, a ciência e seus conhecimentos
sejam incorporados enquanto cultura. Nesse contexto,
a ciência deve ser considerada como o processo dinâmico, que ocorre dentro de
uma comunidade científica, influenciado por fatores culturais, sociais,
ideológicos e históricos, capaz de relatar fatos e contribuir para a construção
de novos conhecimentos.
Para
Gil-Perez et al (2001), as deformações mais comuns encontradas referentes ao
conceito de ciência são: uma concepção empírico-indutivista e ateórica, ou
seja, uma concepção que destaca apenas o papel da observação e da
experimentação, “esquecendo o papel essencial das hipóteses como orientadoras
da investigação, assim como dos corpos coerentes de conhecimentos (teorias)
disponíveis, que orientam todo o processo” (p.129); uma visão da ciência como
algo exato, rígido e infalível, apresentando o “método científico” como um
conjunto de etapas a seguir mecanicamente (p. 130); uma visão aproblemática e
ahistórica (portanto, dogmática e fechada), “transmitindo os conhecimentos já
elaborados, sem mostrar os problemas que lhe deram origem” (p.131) e as
dificuldades para solucioná-los; uma visão exclusivamente analítica que destaca
a necessária divisão dos estudos em partes, mas esquece dos “esforços
posteriores de unificação e de construção de corpos coerentes de conhecimentos
cada vez mais amplos” (p.132); uma visão acumulativa de crescimento linear dos
conhecimentos científicos, tratando a ciência como um processo linear,
ignorando as crises e as revoluções, no qual uma nova teoria pode substituir
outra anteriormente aceita; uma visão individualista e elitista da ciência, na
qual “os conhecimentos científicos aparecem como obras de gênios isolados,
ignorando-se o papel do trabalho coletivo e cooperativo e dos intercâmbios
entre equipes” (p.133) que ocorrem no âmbito da ciência; uma visão socialmente
neutra da ciência, no qual se desconsidera a relação existente entre a ciência,
tecnologia e sociedade.
Essas visões indicadas por Gil-Perez et
al (2001) refletem uma aceitação dogmática da ciência que muitas vezes é
perpassada nos meios de comunicação, onde o conhecimento científico é visto
como infalível e verdadeiro. A construção da ciência necessita ser analisada e
discutida de acordo com o período histórico em que foi formulada, sendo o
conhecimento científico suscetível a mudanças, adequando-se a novos contextos
temporais. Portanto, a ciência está distante de muitas idealizações feitas
sobre ela, sendo necessário mostrar ao aluno que a construção da ciência em
suas diferentes áreas não está completa e nunca estará, pois o conhecimento
humano se constitui de “verdades” históricas e por isso mesmo dependente do
contexto no qual se insere. Desse modo,
para uma imagem não deformada da ciência as escolas precisam adequar os seus
currículos de ciências aspectos fundamentais como: Situações problemáticas
abertas; Reflexões sobre o possível interesse das situações propostas que dê
sentido aos estudos; Uma analise qualitativa
significativa, que ajude a compreender situações definidas;
Formulação de hipóteses; Formulação de estratégias e uma Análise atenta dos resultados à luz do corpo de conhecimentos disponíveis. Assim,
uma percepção crítica da ciência é necessária para uma crescente alfabetização
científica da população e para uma atuação consciente na sociedade, de tal
forma “que os alunos possam tomar consciência da construção dinâmica do
conhecimento, das suas limitações, da constante luta em busca da verdade não de
certezas, mas de um melhor e mais útil conhecimento” (Praia et al, 2002, p.
130). Entendemos, que essas visões de ciência e seu ensino devem perpassar a
formação inicial de professores na busca de formar profissionais com conceitos
de ciência coerentes com uma visão contemporânea da cultura científica,
considerando a ciência como parte da
cultura de nosso tempo.
Por: P.S. rosa Em: 03/04/2014
Lembre-se que a proposição de "Situações problemáticas abertas; Reflexões sobre o possível interesse das situações propostas que dê sentido aos estudos; Uma analise qualitativa significativa, que ajude a compreender situações definidas; Formulação de hipóteses;...., etc..." é feita pelos autores!
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