quinta-feira, 10 de abril de 2014


Alfabetização Cientifica na escola: como ela pode acontecer?

Não existe uma receita pronta para que a alfabetização cientifica aconteça em sala de aula! Seu desenvolvimento consiste em uma mudança gradual na forma de se trabalhar com ciências em sala de aula. Esta mudança busca superar a aula caracterizada pela simples cópia e se valer de atividades abertas e investigativas nas quais os alunos desempenham o papel de pesquisadores.

Para tanto, o ensino de ciências não deve estar restrito a noções e conceitos científicos, mas proporcionar ao aluno o “fazer ciência”. Este processo deve promover o diálogo entre professor e aluno, trabalhar a argumentação em sala de aula, instigar a formulação de hipóteses e evidências para que através da investigação o aluno seja capaz de resolver problemas reais (SASSERON & CARVALHO, 2008).

As mesmas autoras identificam três eixos estruturantes que servem de apoio na idealização, planejamento e análise de propostas de ensino que almejem a Alfabetização Cientifica: i) Compreensão básica de termos, conhecimentos e conceitos científicos fundamentais; ii) Compreensão da natureza da ciência e dos fatores éticos e políticos que circundam sua prática; iii) Entendimento das relações existentes entre ciência, tecnologia, sociedade e meio ambiente (CTSA).

Trabalhar com esses eixos estruturantes da alfabetização científica em propostas de ensino implica em assumir o educar pela pesquisa em sala de aula. Nessa perspectiva, a dinâmica de sala de aula é desenvolvida a partir de questionamentos. Quem questiona um conhecimento existente precisa trazer uma proposta nova que substitua aqueles elementos questionados. A partir da reconstrução do problema questionado são construídos novos argumentos. Para tanto, se faz necessário estabelecer o princípio do diálogo e discussão críticos, a fim de desenvolver um ambiente que favoreça a alfabetização cientifica. (GALIAZZI & MORAES, 2002).

Diante deste cenário, o principal desafio do professor consiste em converter os conteúdos a serem trabalhados em problematizações contextualizadas. E a partir disso, desenvolver nos alunos a capacidade de construir argumentos críticos e coerentes, capazes de serem defendidos em comunidades, seja em nível de sala de aula, seja em grupos além dela.

 

Sofia de Beauvoir

Referências

SASSERON, L. M.; CARVALHO, A. M. P. Almejando a alfabetização cientifica no ensino fundamental: a proposição e a procura de indicadores do processo. Investigações em Ensino de Ciências, Vol. 13(3), Nº2, p.333-352, 2008.

GALIAZZI, M. C.; MORAES, R. Educação pela pesquisa como modo, tempo, espaço de qualificação da formação de professores de ciências. Ciência e Educação,Vol. 8, Nº 2, p.237-452, 2002.

Um comentário:

  1. Cuidado com afirmações como "fazer o papel de pesquisadores", ""Fazer" ciência", elas devem vir relativizadas! É de fato ser pesquisador? é de fato fazer ciência?

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