Alfabetização Cientifica na escola: como ela pode acontecer?
Não existe uma receita pronta para
que a alfabetização cientifica aconteça em sala de aula! Seu desenvolvimento consiste
em uma mudança gradual na forma de se trabalhar com ciências em sala de aula. Esta
mudança busca superar a aula caracterizada pela simples cópia e se valer de
atividades abertas e investigativas nas quais os alunos desempenham o papel de
pesquisadores.
Para tanto, o ensino de ciências não
deve estar restrito a noções e conceitos científicos, mas proporcionar ao aluno
o “fazer ciência”. Este processo deve promover o diálogo entre professor e
aluno, trabalhar a argumentação em sala de aula, instigar a formulação de hipóteses
e evidências para que através da investigação o aluno seja capaz de resolver
problemas reais (SASSERON & CARVALHO, 2008).
As mesmas autoras identificam três
eixos estruturantes que servem de apoio na idealização, planejamento e análise
de propostas de ensino que almejem a Alfabetização Cientifica: i) Compreensão
básica de termos, conhecimentos e conceitos científicos fundamentais; ii) Compreensão
da natureza da ciência e dos fatores éticos e políticos que circundam sua
prática; iii) Entendimento das relações existentes entre ciência, tecnologia,
sociedade e meio ambiente (CTSA).
Trabalhar com esses eixos
estruturantes da alfabetização científica em propostas de ensino implica em
assumir o educar pela pesquisa em sala de aula. Nessa perspectiva, a dinâmica
de sala de aula é desenvolvida a partir de questionamentos. Quem questiona um
conhecimento existente precisa trazer uma proposta nova que substitua aqueles
elementos questionados. A partir da reconstrução do problema questionado são
construídos novos argumentos. Para tanto, se faz necessário estabelecer o
princípio do diálogo e discussão críticos, a fim de desenvolver um ambiente que
favoreça a alfabetização cientifica. (GALIAZZI & MORAES, 2002).
Diante deste cenário, o principal
desafio do professor consiste em converter os conteúdos a serem trabalhados em
problematizações contextualizadas. E a partir disso, desenvolver nos alunos a
capacidade de construir argumentos críticos e coerentes, capazes de serem
defendidos em comunidades, seja em nível de sala de aula, seja em grupos além
dela.
Sofia de Beauvoir
Referências
SASSERON, L. M.; CARVALHO, A. M. P.
Almejando a alfabetização cientifica no ensino fundamental: a proposição e a
procura de indicadores do processo. Investigações
em Ensino de Ciências, Vol. 13(3), Nº2, p.333-352, 2008.
GALIAZZI, M. C.; MORAES, R. Educação
pela pesquisa como modo, tempo, espaço de qualificação da formação de
professores de ciências. Ciência e
Educação,Vol. 8, Nº 2, p.237-452, 2002.
Cuidado com afirmações como "fazer o papel de pesquisadores", ""Fazer" ciência", elas devem vir relativizadas! É de fato ser pesquisador? é de fato fazer ciência?
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