domingo, 6 de abril de 2014

Atividade 3: Como o ensino de Ciências pode contribuir para a construção de uma imagem não deformada das ciências.

Através da leitura do artigo “Para uma imagem não deformada do trabalho cientifico” de (Gil Perez, et al, 2001), compreendi as preocupações dos autores em conscientizar os profissionais da educação sobre a existência presente no âmbito escolar a respeito das deformações dos conhecimentos científicos obtidos pelos docentes.
Um ensino-aprendizagem com base em conhecimento deformado das ciências, propagado direto ou indiretamente, pode promover sérias consequências na aprendizagem dos alunos, por ser uma imagem errônea. Todavia, tanto os professores como também os livros didáticos podem propagar uma visão ingênua das ciências. Na maioria dos livros didáticos, concordando com Fracalanza e Megid (2010), há muitas incorreções e imprecisões conceituais, apresentando deficiência na estrutura metodológica das atividades e no manual do professor, não contribuindo para o desenvolvimento cientifico dos alunos. Os livros podem trazer consigo uma visão tendenciosa, que reforçam interesses políticos econômicos e ideológicos de acordo com os contextos histórico e sócio cultural da época.
Acredita-se que as propagações da visão deformada da ciência podem partir: das universidades, dos livros, como também de artigos, teses dentre outros. Por estes motivos os profissionais da educação básica, consequentemente, também podem propagar uma visão estereotipada da ciência. Quanto às distorções de conhecimento adquiridos pelos professores, é possível destacar a visão empírica indutivo, que tem como crença que as construções de conhecimentos partem apenas da observação e do experimento, descartando os conhecimentos prévios dos cientistas. “A concepção empírico-industivista e ateórica é uma concepção que destaca o papel “neuto” da observação e da experimentação [...] esquecendo o papel essencial das hipóteses como orientação da investigação, assim como dos corpos coerentes de conhecimentos (teorias) disponíveis, que orientam o processo” (PEREZ et al. 2001, p. 129).
Faz-se necessário que os profissionais da educação a partir do reconhecimento das suas visões deformada possam mudar suas concepções dos estudos científicos. Para isto é preciso que os docentes estudem a ciência afastando-se do dogmatismo, da visão elitizada favorecendo aos seus alunos uma visão cientifica critica, capaz de desconstruir conceitos dogmáticos arraigados. Como suporte de desenvolvimento e aprendizagem, os professores podem contar com a formação continuada, meios pelo qual, os professores aprimorizam seus conhecimentos, desenvolvem habilidades e competências, de forma a compartilhar seus conhecimentos com os alunos de forma segura e prazerosa.
Mediante aos conhecimentos obtidos pelo professor, junto com suas práticas pedagógicas é possível conscientizar os discentes que os estudos de ciências, assim como suas descobertas surgiram de determinados problemas enfrentados, em certo momento histórico, com dificuldades e limitações (PEREZ et al,2001). A história da ciência pode contribuir para este aprendizado, porque trás consigo processos de conhecimentos científicos capaz de favorecer rupturas de senso comum dos alunos.
Abordando o contexto escolar, é percebível que os assuntos desenvolvidos em sala de aula são de caráter na sua maioria só teórica, deixando de desenvolver a parte prática, possibilitando uma visão deformada na obtenção do conhecimento. A prática se faz importante na obtenção e desenvolvimento de conhecimentos, pois ao colocar a teoria na prática podemos encontrar alguns desacertos, possibilitando o questionamento, a reflexão, a constatação e o aprendizado. O ensino investigativo permite com que os alunos vivenciem na prática, favorecendo o conhecimento e possibilitando aos alunos a construção de conceitos a partir da reflexão possibilitada pela investigação.
Uma atividade aberta, que proporcione aos alunos interação entre eles mesmos e o professor, que permita o dialogo, a reflexão o questionamento, assim como a elaboração de hipótese, a busca da resolução do problema, dentre outros favorece rupturas de senso comum dos alunos, descontextualizando visões elitistas a respeito da ciência. Desta maneira o ensino de ciência contribui para uma construção de imagem não deformada.


Boaventura

Referências
FRACALANZA, H.; MEGID NETO, J. O livro didático de ciências no Brasil. Campinas/SP: Editora Komedi, 2010.


GIL-PÉREZ, D.; MONTORO, I.F.; ALIS, J.C.; CACHAPUZ, A.; PRAIA, J. Para uma imagem não deformada do trabalho científico. Ciência & Educação, Vol. 7, Nº 2, p. 125-153, 2001.

Um comentário:

  1. Gostei bastante do texto!
    Só uma questão... sempre que Gil Perez e colaboradores usam a palavra "descoberta", a colocam entre aspas... será de fato que a Ciência tem descobertas? Isso não contraria a ideia de construção da ciência?

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