Atividade 3: Como o ensino de Ciências pode contribuir
para a construção de uma imagem não deformada das ciências.
Através da leitura do artigo
“Para uma imagem não deformada do trabalho cientifico” de (Gil Perez, et al, 2001),
compreendi as preocupações dos autores em conscientizar os profissionais da
educação sobre a existência presente no âmbito escolar a respeito das
deformações dos conhecimentos científicos obtidos pelos docentes.
Um ensino-aprendizagem com
base em conhecimento deformado das ciências, propagado direto ou indiretamente,
pode promover sérias consequências na aprendizagem dos alunos, por ser uma
imagem errônea. Todavia, tanto os professores como também os livros didáticos
podem propagar uma visão ingênua das ciências. Na maioria dos livros didáticos,
concordando com Fracalanza e Megid (2010), há muitas incorreções e imprecisões
conceituais, apresentando deficiência na estrutura metodológica das atividades
e no manual do professor, não contribuindo para o desenvolvimento cientifico
dos alunos. Os livros podem trazer consigo uma visão tendenciosa, que reforçam
interesses políticos econômicos e ideológicos de acordo com os contextos
histórico e sócio cultural da época.
Acredita-se que as
propagações da visão deformada da ciência podem partir: das universidades, dos
livros, como também de artigos, teses dentre outros. Por estes motivos os profissionais
da educação básica, consequentemente, também podem propagar uma visão estereotipada
da ciência. Quanto às distorções de conhecimento adquiridos pelos professores,
é possível destacar a visão empírica indutivo, que tem como crença que as
construções de conhecimentos partem apenas da observação e do experimento,
descartando os conhecimentos prévios dos cientistas. “A concepção empírico-industivista
e ateórica é uma concepção que destaca o papel “neuto” da observação e da
experimentação [...] esquecendo o papel essencial das hipóteses como orientação
da investigação, assim como dos corpos coerentes de conhecimentos (teorias)
disponíveis, que orientam o processo” (PEREZ et al. 2001, p. 129).
Faz-se necessário que os
profissionais da educação a partir do reconhecimento das suas visões deformada
possam mudar suas concepções dos estudos científicos. Para isto é preciso que
os docentes estudem a ciência afastando-se do dogmatismo, da visão elitizada
favorecendo aos seus alunos uma visão cientifica critica, capaz de desconstruir
conceitos dogmáticos arraigados. Como suporte de desenvolvimento e
aprendizagem, os professores podem contar com a formação continuada, meios pelo
qual, os professores aprimorizam seus conhecimentos, desenvolvem habilidades e
competências, de forma a compartilhar seus conhecimentos com os alunos de forma
segura e prazerosa.
Mediante aos conhecimentos
obtidos pelo professor, junto com suas práticas pedagógicas é possível conscientizar
os discentes que os estudos de ciências, assim como suas descobertas surgiram
de determinados problemas enfrentados, em certo momento histórico, com
dificuldades e limitações (PEREZ et al,2001). A história da ciência pode
contribuir para este aprendizado, porque trás consigo processos de conhecimentos
científicos capaz de favorecer rupturas de senso comum dos alunos.
Abordando o contexto
escolar, é percebível que os assuntos desenvolvidos em sala de aula são de caráter
na sua maioria só teórica, deixando de desenvolver a parte prática,
possibilitando uma visão deformada na obtenção do conhecimento. A prática se
faz importante na obtenção e desenvolvimento de conhecimentos, pois ao colocar
a teoria na prática podemos encontrar alguns desacertos, possibilitando o questionamento,
a reflexão, a constatação e o aprendizado. O ensino investigativo permite com
que os alunos vivenciem na prática, favorecendo o conhecimento e possibilitando
aos alunos a construção de conceitos a partir da reflexão possibilitada pela
investigação.
Uma atividade aberta, que
proporcione aos alunos interação entre eles mesmos e o professor, que permita o
dialogo, a reflexão o questionamento, assim como a elaboração de hipótese, a
busca da resolução do problema, dentre outros favorece rupturas de senso comum
dos alunos, descontextualizando visões elitistas a respeito da ciência. Desta
maneira o ensino de ciência contribui para uma construção de imagem não
deformada.
Boaventura
Referências
FRACALANZA,
H.; MEGID NETO, J. O
livro didático de ciências no Brasil. Campinas/SP: Editora
Komedi, 2010.
GIL-PÉREZ, D.; MONTORO, I.F.; ALIS, J.C.; CACHAPUZ, A.; PRAIA, J. Para uma imagem não deformada do trabalho científico. Ciência & Educação, Vol. 7, Nº 2, p. 125-153, 2001.
Gostei bastante do texto!
ResponderExcluirSó uma questão... sempre que Gil Perez e colaboradores usam a palavra "descoberta", a colocam entre aspas... será de fato que a Ciência tem descobertas? Isso não contraria a ideia de construção da ciência?