quinta-feira, 3 de abril de 2014

Atividade 3: Como o ensino de Ciências pode contribuir para a construção de uma imagem não deformada das ciências?

Vivemos em uma sociedade que depende da Ciência e da Tecnologia.  O desenvolvimento de um ensino de ciência eficaz e de qualidade  envolve desde aspectos como compreender os fenômenos científicos  existentes em nosso cotidiano, até  como aplicar os conhecimentos  e competências cientificas  para poder  resolver ou opinar sobre os  problemas  sociais e culturais presentes na natureza. Em relação a como as discussões sobre natureza da ciência podem se relacionar ao ensino entende-se que é necessário, mais do que compreender o produto da ciência, compreender o processo pelo qual a ciência é construída, evidenciando a ciência como processo histórico, social e cultural. Sabe-se que a aprendizagem é um processo interno que ocorre como resultado da ação do sujeito, desse modo, o ensino de ciências voltado e trabalhado para uma imagem não deformada das ciências precisa  ser  construída  em uma  interação entre  o sujeito e o meio circundante, fazendo com que,   a ciência e seus conhecimentos sejam incorporados enquanto cultura. Nesse contexto, a ciência deve ser considerada como o processo dinâmico, que ocorre dentro de uma comunidade científica, influenciado por fatores culturais, sociais, ideológicos e históricos, capaz de relatar fatos e contribuir para a construção de novos conhecimentos.
Para Gil-Perez et al (2001), as deformações mais comuns encontradas referentes ao conceito de ciência são: uma concepção empírico-indutivista e ateórica, ou seja, uma concepção que destaca apenas o papel da observação e da experimentação, “esquecendo o papel essencial das hipóteses como orientadoras da investigação, assim como dos corpos coerentes de conhecimentos (teorias) disponíveis, que orientam todo o processo” (p.129); uma visão da ciência como algo exato, rígido e infalível, apresentando o “método científico” como um conjunto de etapas a seguir mecanicamente (p. 130); uma visão aproblemática e ahistórica (portanto, dogmática e fechada), “transmitindo os conhecimentos já elaborados, sem mostrar os problemas que lhe deram origem” (p.131) e as dificuldades para solucioná-los; uma visão exclusivamente analítica que destaca a necessária divisão dos estudos em partes, mas esquece dos “esforços posteriores de unificação e de construção de corpos coerentes de conhecimentos cada vez mais amplos” (p.132); uma visão acumulativa de crescimento linear dos conhecimentos científicos, tratando a ciência como um processo linear, ignorando as crises e as revoluções, no qual uma nova teoria pode substituir outra anteriormente aceita; uma visão individualista e elitista da ciência, na qual “os conhecimentos científicos aparecem como obras de gênios isolados, ignorando-se o papel do trabalho coletivo e cooperativo e dos intercâmbios entre equipes” (p.133) que ocorrem no âmbito da ciência; uma visão socialmente neutra da ciência, no qual se desconsidera a relação existente entre a ciência, tecnologia e sociedade.
Essas visões indicadas por Gil-Perez et al (2001) refletem uma aceitação dogmática da ciência que muitas vezes é perpassada nos meios de comunicação, onde o conhecimento científico é visto como infalível e verdadeiro. A construção da ciência necessita ser analisada e discutida de acordo com o período histórico em que foi formulada, sendo o conhecimento científico suscetível a mudanças, adequando-se a novos contextos temporais. Portanto, a ciência está distante de muitas idealizações feitas sobre ela, sendo necessário mostrar ao aluno que a construção da ciência em suas diferentes áreas não está completa e nunca estará, pois o conhecimento humano se constitui de “verdades” históricas e por isso mesmo dependente do contexto no qual se insere.  Desse modo, para uma imagem não deformada da ciência as escolas precisam adequar os seus currículos de ciências aspectos fundamentais como: Situações problemáticas abertas; Reflexões sobre o possível interesse das situações propostas que dê sentido aos estudos; Uma analise qualitativa  significativa, que ajude a compreender situações definidas; Formulação  de hipóteses;  Formulação de estratégias e  uma Análise atenta dos resultados  à luz do corpo de conhecimentos disponíveis. Assim, uma percepção crítica da ciência é necessária para uma crescente alfabetização científica da população e para uma atuação consciente na sociedade, de tal forma “que os alunos possam tomar consciência da construção dinâmica do conhecimento, das suas limitações, da constante luta em busca da verdade não de certezas, mas de um melhor e mais útil conhecimento” (Praia et al, 2002, p. 130). Entendemos, que essas visões de ciência e seu ensino devem perpassar a formação inicial de professores na busca de formar profissionais com conceitos de ciência coerentes com uma visão contemporânea da cultura científica, considerando  a ciência como parte da cultura de nosso tempo.
Por:  P.S. rosa             Em: 03/04/2014

Um comentário:

  1. Lembre-se que a proposição de "Situações problemáticas abertas; Reflexões sobre o possível interesse das situações propostas que dê sentido aos estudos; Uma analise qualitativa significativa, que ajude a compreender situações definidas; Formulação de hipóteses;...., etc..." é feita pelos autores!

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