Exercício 3.
Como o ensino de ciências pode contribuir para a construção
de uma imagem não deformada das ciências?
Pensar como o ensino de ciências
pode contribuir para a construção de um visão não deformada das ciências é pensar em construir
nos professores de ciências e cientistas durante a sua formação uma concepção
mais crítica e coerente com o real do que é ciências? E o que é o fazer
científico? Pois, de um lado está a visão dos epistemólogos, e do outro, a
visão que é transmitida pelos meios de comunicação, pelos professores de
ciências em suas aulas e pelos próprios cientistas, mesmo que inconscientes.
O fazer científico para muitos epistemólogos
da ciência ALAN CHALMERS; THOMAS KUHN; LAKATOS dentre outros, é entendido como
um conjunto de procedimentos investigativos realizados por cientistas e/ou
comunidade científicas, a partir de experimentações,
observações, debates a cerca de hipótese e problemas sobre determinados
fenômenos da natureza ou sociais, a fim de responder questões pertinentes a um
contexto histórico, econômico, político,
tecnológico, social ou ambiental, dos quais vão sofre fortes influências. E estando o ser humano (homens e mulheres)
sempre como os responsáveis por essas investigações e pelos diálogos e debates
entre os pares decorrentes dos resultados delas. O fazer científico logo, pode
ser entendido como uma construção humana fortemente influenciada por esses
contextos.
Por outro lado, esse fazer
científico segundo (GIL PEREZ et. al
2001), tem sua imagem distorcida pela forma com a qual é divulgado pelos meios
de comunicação (revistas, filmes, livros didáticos, professores de ciências da
educação básica, livros de divulgação científica, jornais televisivos, web
dentre outros), e até mesmo pelos próprios cientistas que dão exemplos
implícitos, quando transmitem uma imagem de ciências neutra, mesmo que
inconscientes, realizadas por pessoas solitárias que não dialogam com seus
pares, desconectadas dos contextos supracitados, em laboratórios fechados, e a
partir de métodos científico infalíveis)
em suas práticas diárias de pesquisadores nos grandes centros de
pesquisas e nas universidade.
Com efeito, essa distorção da
imagem do fazer científico trás uma série de problemas para a imagem da ciência (tida por muitos na
sociedade, devido a essa visão acrítica,
como elitizada, difícil, detentora da verdade, infalível, trabalho de gênios e
distante da maioria das pessoas comuns). Consequentemente o fazer científico
visto dessa maneira cria um grande sentimento de desinteresse pela ciência por
parte da maioria das pessoas. E distancia a ciência cada vez mais das
discussões diárias das pessoas, dificultando seu entendimento e o seu papel no
contexto da Tecnologia, da Sociedade e do Ambiente.
Para tanto, encontrar uma
conformidade da imagem do fazer científico entendido pelos epistemólogos da
ciência (visão mais coerente com o real) com as imagens distorcidas divulgadas
pelos meios de comunicação, pelos professores de ciências e cientistas parece ser a preocupação de
muitos pesquisadores das ciências citados por (GIL PEREZ et. al 2001) em seu
artigo "para uma imagem não
deformada do trabalho científico".
Portanto, o caminho a seguir é primeiro
ver com bons olhos esse momento de crise por qual passa a imagem da ciência e
do fazer científico perante a maior parte da sociedade ( já que para a
própria ciência isso possibilita um campo fértil de hipóteses, questões, a
cerca do problema necessitar de soluções). Depois, proporcionar nos cursos de
formação de professores de ciências e cientistas, espaços mais amplos de
debates sobre o fazer científico através de grupos de pesquisas, disciplinas da
filosofias das ciências e metodologias de ensino que visem instruir esses
futuros profissionais a refletirem sobre sua prática, e a conceberem, para
assim transmitir uma visão de ciências mais crítica e coerente com o real
trabalho científico para seus estudante e alunos tanto em níveis da educação
básica quanto acadêmica, os quais serão responsáveis por interpretar também de
maneira crítica as mensagens distorcidas as quais estarão o tempo todo expostos.
Podemos pensar que a partir
dessas iniciativas será possível transformar uma visão deformada de ciência, em
uma mais concreta e coerente com o que se entende e se aproxima do real.
E as ações do professor em sala de aula? Apenas a formação e reflexão são capazes de dar conta desses aspectos? O texto de Gil Pérez traz um quadro nesse sentido...
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