segunda-feira, 7 de abril de 2014

Exercício 3.

Exercício 3.
Como o ensino de ciências pode contribuir para a construção de uma imagem não deformada das ciências?

Pensar como o ensino de ciências pode contribuir para a construção de um visão não  deformada das ciências é pensar em construir nos professores de ciências e cientistas durante a sua formação uma concepção mais crítica e coerente com o real do que é ciências? E o que é o fazer científico? Pois, de um lado está a visão dos epistemólogos, e do outro, a visão que é transmitida pelos meios de comunicação, pelos professores de ciências em suas aulas e pelos próprios cientistas, mesmo que inconscientes.
O fazer científico para muitos epistemólogos da ciência ALAN CHALMERS; THOMAS KUHN; LAKATOS dentre outros, é entendido como um conjunto de procedimentos investigativos realizados por cientistas e/ou comunidade científicas, a partir  de experimentações, observações, debates a cerca de hipótese e problemas sobre determinados fenômenos da natureza ou sociais, a fim de responder questões pertinentes a um contexto  histórico, econômico, político, tecnológico, social ou ambiental, dos quais vão sofre fortes influências.  E estando o ser humano (homens e mulheres) sempre como os responsáveis por essas investigações e pelos diálogos e debates entre os pares decorrentes dos resultados delas. O fazer científico logo, pode ser entendido como uma construção humana fortemente influenciada por esses contextos.
Por outro lado, esse fazer científico  segundo (GIL PEREZ et. al 2001), tem sua imagem distorcida pela forma com a qual é divulgado pelos meios de comunicação (revistas, filmes, livros didáticos, professores de ciências da educação básica, livros de divulgação científica, jornais televisivos, web dentre outros), e até mesmo pelos próprios cientistas que dão exemplos implícitos, quando transmitem uma imagem de ciências neutra, mesmo que inconscientes, realizadas por pessoas solitárias que não dialogam com seus pares, desconectadas dos contextos supracitados, em laboratórios fechados, e a partir de métodos científico infalíveis)  em suas práticas diárias de pesquisadores nos grandes centros de pesquisas e nas universidade.
Com efeito, essa distorção da imagem do fazer científico trás uma série de problemas  para a imagem da ciência (tida por muitos na sociedade,  devido a essa visão acrítica, como elitizada, difícil, detentora da verdade, infalível, trabalho de gênios e distante da maioria das pessoas comuns). Consequentemente o fazer científico visto dessa maneira cria um grande sentimento de desinteresse pela ciência por parte da maioria das pessoas. E distancia a ciência cada vez mais das discussões diárias das pessoas, dificultando seu entendimento e o seu papel no contexto da Tecnologia, da Sociedade e do Ambiente.
Para tanto, encontrar uma conformidade da imagem do fazer científico entendido pelos epistemólogos da ciência (visão mais coerente com o real) com as imagens distorcidas divulgadas pelos meios de comunicação, pelos professores de ciências  e cientistas parece ser a preocupação de muitos pesquisadores das ciências citados por (GIL PEREZ et. al 2001) em seu artigo "para uma imagem não deformada do trabalho científico".
Portanto, o caminho a seguir é primeiro ver com bons olhos esse momento de crise por qual passa a imagem da ciência e do fazer científico perante a maior parte da sociedade ( já que  para  a própria ciência isso possibilita um campo fértil de hipóteses, questões, a cerca do problema necessitar de soluções). Depois, proporcionar nos cursos de formação de professores de ciências e cientistas, espaços mais amplos de debates sobre o fazer científico através de grupos de pesquisas, disciplinas da filosofias das ciências e metodologias de ensino que visem instruir esses futuros profissionais a refletirem sobre sua prática, e a conceberem, para assim transmitir uma visão de ciências mais crítica e coerente com o real trabalho científico para seus estudante e alunos tanto em níveis da educação básica quanto acadêmica, os quais serão responsáveis por interpretar também de maneira crítica as mensagens distorcidas as quais estarão o tempo todo expostos.
Podemos pensar que a partir dessas iniciativas será possível transformar uma visão deformada de ciência, em uma mais concreta e coerente com o que se entende e se aproxima do real.

Autor: Desconhecido.

Um comentário:

  1. E as ações do professor em sala de aula? Apenas a formação e reflexão são capazes de dar conta desses aspectos? O texto de Gil Pérez traz um quadro nesse sentido...

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